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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os problemas do Enem


Desde o ano de 2009, o Exame Nacional do Ensino Médio mudou a forma de aplicação. Até então, os estudantes respondiam uma prova com 63 questões interdisciplinares e uma redação, realizadas no mesmo dia.
Com as alterações, o Enem passou a avaliar os candidatos por meio de perguntas que envolvem quatro áreas de conhecimento: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (incluindo redação), Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias.
O teste passou a ser realizado em dois dias. O intuito do Ministério da Educação (MEC) era unificar os processos seletivos das universidades de todo o país. Porém, com as mudanças vieram os problemas no Enem. A partir daí, o exame apresentou falhas e falta de transparência nas correções das provas.


2009
No primeiro ano em que o novo Enem foi aplicado houve o vazamento da prova. O MEC foi obrigado a cancelar as avaliações e remarcar o exame às pressas.  Os testes aconteceram com dois meses de atraso, o que obrigou várias universidades que usariam o resultado nos seus processos seletivos a desistirem de utilizar a nota do exame. O nível de abstenção foi de 1,5 milhão de pessoas, em virtude dos erros apresentados no Enem. Além disso, uma questão da prova foi anulada e um gabarito foi divulgado errado.

2010
Nessa edição, o Enem continuou a apresentar problemas. Estudantes que realizaram o exame do caderno amarelo reclamaram que havia várias perguntas iguais e alguns deles apresentaram partes do caderno branco. Determinadas folhas de respostas também tiveram o cabeçalho invertido.  Os candidatos de Belo Horizonte (MG) ainda enfrentaram problemas com falta de luz, sendo os testes iniciados com duas horas de atraso.

2011
No último ano, o exame teve quatorze questões anuladas para os alunos do Colégio Christus, de Fortaleza, e do pré-vestibular oferecido pela instituição. Os estudantes realizaram, algumas semanas antes do Enem, um simulado com questões iguais às aplicadas no exame. O MEC concluiu que as perguntas vazaram durante a fase de pré-testes do Enem, realizada em 2010, para avaliar o grau de dificuldade delas. A Justiça Federal do Ceará chegou a invalidar as questões para todo o país, mas o MEC recorreu da decisão.

Expectativa

A partir desse ano o Enem terá duas edições, sendo uma em abril e a outra prevista para outubro. No ano passado, o Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que garantiu aos candidatos o direito de verem as provas corrigidas.
O Inep, responsável pela aplicação dos exames, cogita também a possibilidade de encaminhar a prova de redação corrigida aos candidatos. Isso porque o MPF já entrou com várias ações civis públicas solicitando ao órgão que divulgue as correções dos exames e permita a possibilidade de recurso.
Neste mês de janeiro, pela primeira vez, um estudante conseguiu ter a nota da redação revisada, após entrar com o pedido na Justiça.  A prova foi zerada porque, segundo o MEC, continha “impropérios”, apesar de o aluno afirmar não ter feito qualquer tipo de rabisco ou outra ação que pudesse resultar na anulação de seu texto.
Após a solicitação feita pelo colégio, o MEC ligou para o estudante, informando que sua nota havia sido revista e passado de zero para 880 pontos. Entretanto, o órgão não mostrou a folha de redação ao estudante. O caso abre precedente para que outros estudantes entrem com ação na Justiça para ver a prova de redação ou exigir nova correção.
A maior expectativa de quem faz o Enem é que o MEC possibilite aos estudantes a apresentação derecursos para a revisão da nota da prova objetiva e da redação.

Por Mayara Oliveira

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