Entre dúvidas e promessas, Surface pode ser um player de peso considerável no lucrativo mercado de tablets; superar o Android e alcançar o iPad, no entanto, não será tão simples
Conforme esperado, a Microsoft anunciou na noite da última segunda-feira (18) o seu próprio tablet, chamado de Surface. A apresentação do gadget foi feita pelo presidente-executivo da companhia, Steve Ballmer, que focou na integração entre hardware e software e nas características físicas únicas no aparelho, que o colocam no limite entre os tablets e ultrabooks.
"Sempre foi claro que o que o nosso software podia fazer, exigia de nós um novo hardware, às vezes algo que os nossos parceiros não tinham em vista. Assim como o Windows 1 precisou do mouse, nós queremos dar ao Windows 8 seu próprio hardware", falou Ballmer. Apesar disso, as primeiras versões do tablet virão com a plataforma operacional Windows RT, otimizada para a arquitetura de chips ARM - embora a Intel também seja fornecedora de processadores para o Surface.
A Microsoft está sonhando bem alto com o novo dispositivo. Ele foi descrito como a "reimaginação" do tablet, mas a verdade é que ainda se sabe muito pouco para julgar o Surface - principalmente se ele vai ser um concorrente à altura dos aparelhos Android ou - numa previsão bem ambiciosa - do iPad. Enquanto o gadget da Apple tem dois anos de estrada, está na terceira versão e detém mais de 60% do mercado, a Microsoft sequer deixou claro se o Surface irá suportar redes 3G ou 4G.
Hardware
Para começo de história, o Surface deve ser disponibilizado para vendas em duas versões: uma básica e outra Pro (tinha que ter essa terminologia); uma com Windows RT, outra com Windows 8; ARM, Intel - e por aí vai. A versão mais básica do Surface tem uma espessura de 9,3 mm de espessura, ligeiramente mais fino do que o último modelo do iPad. O peso é de 980 gramas, tela ClearType de alta resolução com 10,6 polegadas e espaço em disco variando entre 32 e 64 GB. Futuramente, a versão Pro deve fornecer um espaço inédito de 128 GB.
De acordo com a Microsoft, a recepção de sinais WiFi é a melhor em todos os tablets, com antenas bem mais sensíveis. Porém ainda não se sabe como será o Surface em relação às conectividades via 3G, 4G ou LTE (padrão norte-americano).
A versão Pro irá funcionar com um processador x86 Intel Core i5 Ivy Bridge, semelhante a um ultrabook. Com isso, o peso e a espessura devem aumentar um pouco - 13,5 milímetros - em relação à versão RT.
A versão Pro irá funcionar com um processador x86 Intel Core i5 Ivy Bridge, semelhante a um ultrabook. Com isso, o peso e a espessura devem aumentar um pouco - 13,5 milímetros - em relação à versão RT.
| (imagem: divulgação/Microsoft) |
Acessórios
O destaque da noite ficou por conta dos acessórios interessantes que virão acompanhando o tablet. A capa do aparelho, quando desdobrada, funciona como um teclado ultrafino com trackpad, ligado ao corpo do dispositivo por magnetismo. O Surface também conta com um suporte para ficar "de pé" enquanto o usuário manuseia o tablet como um notebook.
Variáveis desconhecidas
Apesar de todas as novidades, ainda se sabe pouco sobre o Surface - muito menos se ele será um player e peso no lucrativo mercado de tablets. Um estudo recente da consultoria IDC revelou que até 2016, devem ser comercializados 221 milhões de dispositivos, com um aumento crescente da demanda ano após ano. Mas a expectativa é que o iPad continue reinando absoluto, com 62,5% da fatia até o final de 2012. Já os Androids ficam com 36,5%, enquanto os "demais" - incuindo o Playbook - mal aparecem na lista.
Pelo menos dois detalhes importantes ainda não foram revelados com precisão: o preço e o prazo. Ainda não se tem uma ideia clara sobre quanto irá custar cada uma das versões do Surface, tampouco quando vão desembarcar nos mercados. Espera-se que isso ocorra entre outubro e novembro, no outono do hemisfério norte, a tempo de pegar as vendas de final de ano.
Pelo volume de espaço em disco que deve ser ofertado, a Microsoft dá mostras de que não pretende ir tão cedo na onda do cloud computing para dispositivos móveis. Mesmo assim aposta na integração com os softwares dos PCs, mercado que domina historicamente junto a empresas parceiras (Dell, HP, LG). Assim, programas como o pacote Office, suítes da Adobe e outros devem rodar como se estivessem "em casa".
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