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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ciência como negócio, crise dos átomos e tecnologia: com a palavra, Fábio Gandour


Cientista-chefe da IBM Brasil defende que uma parcela da prática científica deve ser transformada em ativos empresariais. E mostra que isso pode ser ótimo para ambos, universidades e empresas

Quando se fala em Ciência no Brasil, a imagem que (ainda) vem à mente da maioria é de caras estranhos e introspectivos usando impecáveis jalecos brancos e observando atentamente alguns tubos de ensaio, engenhosamente suspensos por uma parafernália de instrumentos. Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM no Brasil, é exatamente o oposto dessa imagem. Descolado e comunicativo, o médico (sim, formado em Medicina), lembra mais a figura de um evangelista que tem como missão aproximar a ciência das pessoas e mostrar que a tecnologia, em seu sentido mais amplo, pode ajudar a transformar a realidade.
Ele ministrou uma palestra na última semana no Sebrae/PB, intitulada "O que do amanhã já se pode saber hoje". O evento integra as ações do Sebrae Paraíba na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e lançou no Estado a 3ª Busines IT South America (BITS), evento de tecnologia ligado à CeBIT, que acontecerá em Porto Alegre (RS) de 14 a 16 de maio de 2013. Como o evento foi pertinho da nossa redação, o Administradores.com não poderia perder a oportunidade de entrevistá-lo.
"Nos últimos vinte anos, minha missão tem sido de colocar a tecnologia para funcionar a serviço das pessoas; cada um tem as suas necessidades tecnológicas", diz Gandour. E foi a tecnologia quem ocupou todo o espaço durante a apresentação, servindo como elo para debater desde inovação até demografia e sustentabilidade.

Um dado curioso se refere ao que poderia ser chamado de "crise dos átomos". Todos nós estamos fartos de conceitos "verdes" sobre consumo sustentável, sacolas plásticas e afins. Mas, conforme lembra Gandour, o número de átomos no planeta é constante e equivale a 10⁵⁰. "Se o número de pessoas continuar a crescer no ritmo de hoje, em 2050 teremos uma população de 12 bilhões de habitantes. Precisamos ser sustentáveis, porque caso o consumo per capita também se mantiver constante ou aumentar, vão faltar átomos", simplifica. Veja abaixo a entrevista completa.  
Imagem: Shutterstock

Você fala muito sobre ciência como negócio, mas também falou sobre ciência de serviços. Esses conceitos são a mesma coisa? Qual a diferença entre eles?

Não, não. Ciência de serviços é uma ciência nova, tem 6 anos de vida. Para uma ciência, ela é extremamente jovem, e ela procura criar conceitos com fundamentação teórica para sustentar a evolução da prestação de serviços no mundo todo. A ciência como negócio é uma criação minha. Eu percebi que a evolução da ciência no mundo, desde o início da história do homem, empurrou a prática científica na direção da academia, da universidade. Lá a ciência é praticada com muita propriedade, foi com essa ciência acadêmica que os horizontes do homem se ampliaram, o conhecimento humano cresceu. Mas essa ciência acadêmica é uma ciência doutrinária; ela tem dogmas, ela tem liturgias, ela tem credos. Esse modelo é muito bom, mas ele serve lá na academia. Nos negócios, que têm de lidar com uma complexidade cada vez maior, eu preciso de um outro tipo de ciência. Daí criamos esse conceito de ciência como negócio que se beneficia da ciência como doutrina, usa tudo o que a ciência como doutrina fez, mas tem objetivos um pouco diferentes. É o objetivo de fazer pesquisa científica que produza resultados com impactos positivos nos negócios dos seus financiadores. Essa é a ciência como negócio.

Como a ciência doutrinária e a ciência como negócio vão conviver?

A ciência doutrinária vai continuar se desenvolvendo para expandir aquilo que a gente chama de ciência pura. E todos os conceitos, todas as descobertas, todas as conclusões que a ciência acadêmica fizer, a gente tá pronto para aplicar, para fazer pesquisa aplicada dentro do modelo de ciência como negócio. Então elas vão conviver muito bem.

Algumas empresas grandes, multinacionais, têm recursos para financiar uma infraestrutura própria de pesquisa e educação, elas criaram as próprias faculdades. Isso já seria um princípio da ciência como negócio?

Eu acredito que sim, mas as empresas grandes têm condição de fazer esse financiamento da sua atividade científica. As empresas médias e menores, sabe o que elas têm que fazer? Elas têm que ir nas universidades onde existem professores dispostos a desenvolver modelos de ciência aplicada. Tem muitas. Eu tenho certeza que aqui na Paraíba devem existir, nas universidades, professores que um dia fizeram ciência pura e hoje estão dispostos a desenvolver ciência aplicada.

Você afirma que o mundo pode passar por uma espécie de "crise dos átomos", por conta do crescimento populacional e do consumo. Na sua opinião, como a tecnologia pode ajudar a superar ou evitar essa crise?

Eu acho que a gente precisa usar a tecnologia como instrumento de conscientização, que pode ser feita com ou sem tecnologia. O que eu estou fazendo aqui, e deixando isso claro, é uma tarefa de evangelização, de conscientização a respeito dos limites dos recursos que o planeta tem. Tenho certeza que o povo saiu daqui hoje pensando nisso. Os recursos do planeta são finitos, nós temos que usá-los com propriedade. Não vejo outra forma a não ser essa. E a tecnologia ajuda a disseminar essa informação da melhor maneira possível.

Você falou que todos os objetos dotados de propriedades de estado, como luz, portas e eletrodomésticos, serão todos conectados por uma rede como a Internet. Isso já acontece? Em quanto tempo isso pode adquirir escala?

Depende do local. Mas nos centros de maior desenvolvimento, num horizonte de três a cinco anos a gente vai começar a trombar com coisas que se movimentam sozinhas, mesmo sem a gente dar ordem, que elas têm sensores, os sensores detectam o estado conectados a um atuador e o atuador muda esse estado.

Mas o ser humano vai poder ser "controlado" dessa maneira também?

Essa é uma pergunta difícil. Eu espero que não, e faço tudo para que isso não aconteça. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Computação em nuvem e MPE: a receita para otimizar a receita


A tecnologia, quando bem explorada, tende a agilizar os processos e entregar um excelente serviço. Desvende os segredos por trás do cloud computing e... bons lucros


As empresas brasileiras estão em fase de adoção de tecnologias. Um estudo da IBM mostra que estamos próximos à média global: enquanto 16% das empresas já usam funcionalidades em nuvem para promover inovações - como ingressar em novos nichos de negócio ou remodelar um segmento de mercado existente - 35% pretendem utilizar a nuvem como ferramenta de transformação de seus atuais modelos de negócios. Estamos disputando ombro a ombro com os líderes históricos nesse ramo, e, dentro desse cenário, a computação em nuvem é o elemento-chave.
"O mercado está começando a entender que cloud computing não gera apenas aumento de produtividade e redução de custo, mas também proporciona o tipo de inovação fundamental que oferece diferenciação e valor de mercado", afirma José Luis Spagnuolo, diretor de Cloud Computing da IBM Brasil.
No entanto, essa panacéia em torno do cloud computing gera algumas compreensões erradas por parte dos empresários. "O conjunto de estruturas que conceituam a nuvem computacional pode proporcionar oportunidades de revisão de processos gerenciais e de negócio para um grande número de empresas. Principalmente para aquelas que não possuem orçamento para o investimento em soluções com alto custo de manutenção", dizMarcos Patrício, economista e gerente de soluções em serviços gerenciados na Unione Outsourcing.
Para começar, vai o seguinte alerta: a tecnologia não é uma solução mágica para o problema das empresas, que devem ter (ou implantar) uma política sólida de TI - principalmente no que diz respeito à segurança dos dados. O Índice Global 2012 de Recuperação de Desastres da Acronis revelou que apenas um terço das empresas brasileiras pesquisadas podem executar operações de backup e recuperação em caso de emergência - situações que vão desde ataques virtuais a enchentes ou outras catástrofes, naturais ou não.
"Coisas mais básicas foram deixadas para trás, como uma política de backup. boa parte das micro e pequenas empresas não têm uma política para gestão de backup e isso gera insegurança na adoção de tecnologias", lembra David Tresmondi, gerente geral da Imation no Brasil.

MPE

As MPE - englobando as micro e pequenas empresas, empresários individuais e sociedades - constituem um segmento com números impressionantes: elas têm uma participação de 77,23% em relação aos demais segmentos (pequeno, médio e grande). São 11 milhões de empresas, segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgado nesta semana. São essas instituições que mais podem lançar mão dos recursos em nuvem para otimizar a produtividade. "O cloud computing propicia uma economia de escala que ela não teria com um data center próprio", destaca Tresmondi.
O empresário deve ter informações precisas sobre o quanto de dados a sua empresa gera e onde pode armazena, incluindo as sazonalidades - empreendedores do varejo e e-commerce devem saber bem o que é isso. Outro aspecto importante é saber quem tem acesso ao quê, quando e onde pode acessar e quais as aplicações e dados devem migrar para a nuvem.

Tipos de nuvem

De acordo com Frederico Tostes, country manager da Fortinet no Brasil, existem quatro tipos de nuvem - opções que devem ser muito bem avaliadas pelo empresário antes de fechar acordos com as empresas provedoras:
Nuvem pública: propriedade de um provedor de nuvem que a disponibiliza ao público em geral em uma base de pagamento conforme o uso de múltiplos usuários.
Nuvem privada: pertencente e implantada por uma organização para uso interno, para uma única empresa.
Nuvem comunitária: cooperativamente compartilhada por um conjunto de empresas, muitas vezes de um mesmo setor.
Nuvem híbrida: abrange os modelos de implantação de nuvem listados acima, possibilitando que os aplicativos e dados passem facilmente de uma nuvem para outra.
"Antes da adoção, os fatores a serem considerados são a importância das aplicações que a empresa quer mudar para a nuvem, as questões de regulamentação, os níveis de serviço necessários, os padrões de utilização para a demanda de trabalho e como as aplicações devem ser integradas com outras funções de empresa", explica.
É bom lembrar que a principal característica da computação em nuvem é entregar todas as soluções como serviços - e não produtos. Isso traz benefícios, como a queda nos gastos com manutenção em infraestrutura, acesso remoto aos dados, flexibilidade dos planos, compartilhamento das estruturas e aplicações, dentre outros. Porém se o empresário não estudar bem qual a solução mais adequada para o seu negócio, pode enfrentar uma série de problemas relacionados.

O que perguntar ao provedor de cloud

  • Quais os modelos de nuvem eu tenho à disposição?
  • Se o contrato não for renovado, poderei fazer uma exportação segura para um novo serviço?
  • Quais são as minhas responsabilidades? Quem irá cuidar da segurança e do backup?
  • Em que país estão localizados os servidores e como as leis locais podem interferir no meu negócio?
  • Qual a estrutura dos data centers?
  • Como é tratada a parte de segurança dos dados?
  • Quem tem acesso ás minhas informações? 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Nerds: os donos do mundo


Eles eram os párias da escola. Desajeitados, tímidos e vidrados em conhecimento acabaram conduzindo uma revolução sem precedentes no modo como vivemos e nos comunicamos hoje. Agora, estão se preparando para o próximo passo: transformar completamente a sua empresa


Leia com atenção estes nomes: Steve Wozniak, Tim Berners-Lee e Jimmy Wales. E imagine: se houvesse um avançadíssimo gadget implantado agora em sua retina e capaz de traduzir instantaneamente substantivos próprios para adjetivos, você teria lido: nerd, nerd e nerd em vez dos nomes acima. Mas a tecnologia não evolui tanto assim e, pior!, talvez você nunca tenha ouvido falar desses caras. Não mesmo?! Então é melhor começar sua pesquisa agora. Mas faça do jeito que eles recomendariam: use um computador pessoal, de preferência um Mac (iWoz, como é chamado Steve, o cofundador da Apple e um dos criadores do PC), acesse a internet (Tim é o responsável pelo desenvolvimento da www, a world wide web, onde milhões de pessoas navegam diariamente) e busque na Wikipedia (Jimmy é o todo-poderoso da enciclopédia livre on-line). Você vai descobrir que, além de tudo isso, o trio acima está entre os homens mais influentes do mundo e vem ajudando a ditar os rumos de atual revolução tecnológica. Ah, sim, eles também são nerds!
Chamar alguém de nerd já foi xingamento. E isso não faz tanto tempo assim. A palavra surgiu na década de 50 e tudo indica que foi utilizada pela primeira vez para denominar um grupo de cientistas canadenses que trabalhavam na divisão de pesquisa e desenvolvimento (research and development) da Northern Electric, hoje Nortel. Bastou juntar as iniciais da empresa e daquele departamento para formar o apelido: NERD. Como essa turma passava dias no laboratório, atrás de pesados óculos e longe da vida social, a expressão logo foi também usada para designar outros jovens com o mesmo perfil. Nascia, assim, a gíria para o cara esquisitão, tímido e aficionado por conhecimento.
Ilustração: João Faissal/Revista Administradores

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Samsung lança Galaxy S III com foco na intuitividade do usuário


Aparelho vem com tecnologia Wi-Fi Direct, para compartilhamento de arquivos através do emparelhamento de dispositivos


Conforme esperado, a Samsung anunciou nesta quinta-feira (3), em Londres, o Galaxy S III. O Samsung Mobile Unpacked 2012, evento preparado exclusivamente para o anúncio do novo modelo, teve como primeiro apresentador o presidente de comunicações móveis da companhia, JK Shin, que anunciou oficialmente o Galaxy S III. Ele garantiu ao menos uma coisa: o aparelho tem o melhor hardware do mercado.
Design

O S III, como já se havia especulado, virá nas cores azul escura ("peeble blue") e branca. A novidade é o design biomimético, ou seja, inspirado na natureza. "Projetado para humanos", como diz o slogan, e o uso de samples com o som de água quando o usuário toca a tela reforça essa característica do produto. O aparelho conta com 8,6 milímetros de espessura e pesa 133 gramas.

Para evitar problemas com a Apple e seu "slide to unlock", a nova versão do Galaxy S utiliza uma nova tecnologia para desbloquear o teclado: o "swipe to unlock", que consiste em aplicar alguns toques na tela, que irá simular uma superfície aquática e desbloquear o teclado.
samsung
(imagem: divulgação)